Na economia, a globalização é sinônimo de abertura dos mercados á livre competição. A idéia é aqueles que oferecem o melhor produto pelo menor preço serão os vitoriosos. Essa aragem da chamada economia de mercado já chegou à medicina brasileira.
Esses princípios em si são muito saudáveis: a competição nos obriga a “enxugar” custos, cancelar gastos desnecessários e rever hábitos administrativos antiquados e obsoletos. Mas o que realmente podemos cortar, redimensionar, sem que um impacto forte ocorra na qualidade?
Custo e qualidade: a arte do sucesso está no equilíbrio destes dois ingredientes. Ninguém melhor do que nós, médicos, sabemos que a droga que salva, é a mesma que pode matar. A diferença, às vezes tênue, reside, além da escolha correta, na dosagem adequada do medicamento.
Alguns tecnocratas que agem na intermediação dos serviços de saúde esquecem-se, com freqüência, de que existem diferenças fundamentais quando o produto é saúde! Numa indústria de eletrodomésticos, por exemplo, um produto defeituoso pode ser descartado no final da linha de produção. Se um consumidor detectar um defeito no seu microondas poderá exigir sua substituição. O que podemos fazer com um olho cego, resultado de uma cirurgia mal sucedida? Poderá simplesmente ser descartado ao final do tratamento, como “inapropriado para a função a que se destina”? Poderá ser trocado por algum outro “existente no estoque”?
Não temos dúvida: abrir mão da qualidade pode significar um desastre para o paciente individualmente.
Homero G.de Almeida